quarta-feira, 22 de abril de 2009

Para os meus visitantes ...

É só clicar!
http://www.youtube.com/watch?v=PAnoBpGUNCE

domingo, 15 de fevereiro de 2009

"Uma canção espantosa", observa Júlio Machado Vaz, no seu livro O Sexo dos Anjos (Novembro de 1991), cantada por um não menos espantoso cantor, poeta, trovador português, acrescento eu.
Espero que gostem e, se possível, descubram a versão com música.

Desafio VI

Já viajámos de ilhas em ilhas
já mordemos fruta ao relento
repartindo esperanças e mágoas
por tudo o que é vento.

já ansiámos corpos ausentes
como um rio anseia pela foz
já fizemos tanto e tão pouco
Que há-de ser de nós?

Que há-de ser do mais longo beijo
que nos fez trocar de morada
dissipar-se-á como tudo em nada?

Que há-de ser só nós o sabemos
Pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós.

Já avivámos brasas molhadas
no caudal da lágrima vã
e flutuando a Lua nos trouxe
à luz da manhã.

Reencontrámos lágrima e riso
demos tempo ao tempo veloz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?

Que há-de ser da mais longa carta
que se abriu peito alvoroçado
devolver-se-á: "Endereço errado?"

(...)

Que há-de ser só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Para descobrir durante o fim de semana

Agradeço e dou os parabéns aos que participaram, no último desafio - Célia, Existente Instante e outros que têm estado sempre presentes nestas brincadeiras. Conhecimento e perspicácia caracterizam-nos. Espero que continuem a participar e que gostem desta escolha.

Desafio V

"Sem saber se o tempo existia, se aquele desfilar durara um segundo ou cem anos, se existia um (...) ou um Gautama, um Eu e outros, profundamente ferido por uma seta divina que lhe causava prazer, profundamente fascinado e exaltado, Govinda permaneceu ainda um momento inclinado sobre o rosto pacífico de (...), que acabara de beijar, o rosto que fora o palco de todas as formas presentes e futuras. O seu semblante não se modificara, depois do espelho das mil formas se ter apagado da superfície. Sorria pacífica e ternamente, talvez muito graciosamente, talvez muito ironicamente, tal qual como o Sábio sorrira.
Govinda fez uma vénia profunda,enquanto lágrimas incontíveis lhe deslizavam pelo rosto velho. Avassalava-o um sentimento de grande amor, da mais humilde veneração. Inclinou-se muito, até ao chão, defronte do homem imóvel, cujo sorriso lhe recordava tudo quanto jamais fora valioso e santo na sua vida."
Final de um clássico. Ao contrário dos outros é um autor estrangeiro. As reticências substituem o nome da personagem que dá o nome ao livro.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

Um ramo de urze e jasmim

"Era uma vez uma flor.
Nasceu à beira de um Poeta..."

Vês como é simples e linda?

Sebastião da Gama




"(...)
Da minha janela
vê-se a Poesia.

Não te digo, não,
se é bonita ou feia,
se é azul ou branca,
nem que formas tem
Sebastião da Gama







sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Regresso

"Casta, orvalhada da mesma frescura que humedecia a fruta nos seus pomares, Leiró acordava de uma grande noite de sono e de sonho. O primeiro fio de fumo subia já da lareira do João Rã, o madrugador da povoação. Erguia-se branco, preguiçoso, tímido da aragem fria da manhã. Mas, logo que chegava a céu aberto, tomava respiração, alargava os braços e diluía-se voluptuoso no éter perfumado do mar. Dos quinteiros nasciam vozes confusas da Babel animal. E da esquadria honesta dos portais, larga e franca, iam surgindo caras humanas e cristãs, levedadas para nova romaria de suor.
À distância de um tiro de espingarda, a medida que agora melhor conhecia, Ivo olhava e analisava aquele despertar. Sentado numa fraga de granito, a trouxa de roupa pousada ao lado, com o olho que lhe restava ia fotografando as fases sucessivas por que passava o casario e a vida da terra onde nascera. Talvez porque a via assim, só de um lado, precisamente o do coração, parecia-lhe que a entendia melhor agora, que a visão binocular de outrora destrinçava e empobrecia o sentido das cousas, incapaz de abraçar no mesmo amor o execrável e o santo."

De um escritor que se dirige desta forma aos seus leitores (Setembro de 1945): "Tomei o compromisso em teu nome, o que quer dizer em nome da própria consciência colectiva. Na tua ideia, o que escrevo, como por exemplo estas histórias, é para te regalar e, se possível for, para te comover. Mas quero que saibas que ousei partir desse regalo e dessa comoção para te responsabilizar na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos".

Espero a vossa participação!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

La fête avec Chagall

Viens, fais la fête
Viens dancer toujours
Célébrer l'amour
Séche tes larmes
Regarde autour de toi
Souris à n'importe quoi
Il faut toucher les choses
Bois ton vin
Sens tes roses
Suis les mots, du poète
Prends la vie
Fais la fête
Viens, vis la valse
Vis l'éclat des jours
Viens chanter l'amour
Ouvre tes portes
Reçois la vie chez toi
Gonfle ton coeur de joie
Il faut toucher les choses
Bois ton vin
Sens tes roses
Suis les mots, du poète
Prends la vie
Fais la fête

Rodrigo Leão